Revista Engenharia Brasil Alemanha


Revista Engenharia Brasil Alemanha set 2013, pags. 84,85,86 

A horta urbana: uma solução inteligente 
Texto: Ana Calegari | Tradução: Julia Dünner 

 

Não há dúvidas de que as cidades ganham cada vez mais habitantes, e de que esse ‘boom’ reflete em diversos setores, até mesmo no alimentício. Os dados não mentem: a população humana não para de crescer e precisa, consequentemente, cada vez mais de alimentos. No ano de 1900, o nosso planeta era povoado por 1,6 bilhões de pessoas. Já em 2010, a nossa população chegou a 6,9 bilhões. Aqui, no entanto, entra um fator que se torna cada vez mais preocupante na sociedade moderna: a maioria das pessoas mora nas cidades grandes. Em 1975, 37% delas moravam nas cidades, e havia apenas cinco Megacities com mais de 10 milhões de habitantes; já para 2016, a previsão é de 26 Megacities. Neste contexto, você já pensou que as cidades poderiam ser uma solução para alimentar a população, ao invés de um problema? A ideia é transformar o urbano em uma espécie inteligente de rural. Mas como? Não é apenas o volume de produção que desempenha um papel fundamental no abastecimento de alimentos, mas uma horta urbana também poderá melhorar essa logística, assim como melhorar o próprio clima ambiental. É por isso que, na Alemanha, há um novo movimento que incentiva o uso do próprio apartamento ou casa para a plantação de ervas, frutas e legumes. No Brasil, mais especificamente em São Paulo, a horta urbana também já dá frutos. Ou seja, uma nova maneira de encarar a vida urbana com mais saúde, qualidade, economia, sustentabilidade e inteligência. Aprecie algumas fotos e prepare-se para a nova onda de plantações nas grandes cidades do Brasil. Origem do Conceito: um passado mais que presente As primeiras hortas urbanas floresceram naAlemanha, no início do século XIX. A fome, a pobreza e a insegurança nos mercados, sobretudo no setor alimentício, fez com que as pessoas procurassem uma solução mais econômica e segura. Com a primeira Guerra Mundial, a ideia foi transportada para países como os Estados Unidos da América, Canadá e Reino Unido. O objetivo era poupar os esforços para a produção de alimentos e dar prioridade à fabricação de instrumentos de guerra. A estratégia, além de ser adotada em ambas as Guerras Mundiais, teve seu momento na época da Grande Depressão, quando os mantimentos eram escassos e o desemprego, uma situação comum. 

 

O projeto de sustentabilidade do Shopping Eldorado, zona Oeste de São Paulo, conhecido como “Telhado Verde”, começou em 2011 e foi iniciado de fato em maio de 2012. Ele foi motivado pela necessidade de reaproveitar os restos de comida, provenientes da Praça de Alimentação, como adubo (compostagem). O sistema consegue transformar em compostos orgânicos 25% das 300 toneladas de lixo produzidas todos os dias no centro comercial. A horta conta com diversas hortaliças, como berinjela, alface, pimenta, manjericão, hortelã, menta, poejo, erva-doce, capim-santo etc. No dia-a-dia, ela recebe acompanhamento de um engenheiro agrônomo e dois auxiliares de compostagem. Os produtos cultivados são destinados aos pró- prios colaboradores do estabelecimento. A horta foi construída na parte superior da estrutura do shopping com o objetivo de deixar a sua temperatura interna mais amena, diminuindo o uso do equipamento de refrigeração de ar em suas dependências. Com isso, a estratégia é minimizar o desperdício de água e evitar a emissão de quantidades significativas de carbono na atmosfera. Trata-se de uma novidade que pode ajudar a rotina das pessoas nas grandes cidades em prol da qualidade de vida. E, quem sabe, em um futuro próximo, muitos já possam colher seus alimentos em suas próprias casas, varandas, terra- ços, ou até mesmo fazer uma pausa no trabalho para degustar uma fruta plantada no telhado do prédio comercial.

 

FONTE: http://www.vdibrasil.com.br/upload/especiais/00005845.pdf